Mostrando postagens com marcador Viagens Interestaduais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Viagens Interestaduais. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de abril de 2009

Paraty ... com emoção



Viagem realizada de 10 a 12/04/09

As vezes refazemos antigas escolhas, entramos em encruzilhadas, nos pegamos em curvas fechadas onde não há voltas para descobrir novos caminhos . As vezes buscamos felicidade eterna e duradoura, mas percebemos que a felicidade na realidade é feita de momento, situações e lugares como o vivido neste final de semana prolongado que eu pude definir como FElICIDADE .

Tudo começou meio que sem planejamento como todas as melhores viagens que fiz, só sabia que tinha um destino e um lugar, de resto tudo decidido após as 16 hs da quinta feira como reservas de pousada, estrada a percorrer, o que levar e a hora da partida, tudo teria que estar pronto na própria quinta, pois as sete da manhã da sexta-feira santa queria estar na estrada .

Graças a internet tudo ok e a manhã de sexta me esperava com o sol a iluminar meu rosto. Moto carregada, meu velho blusão , o colete do meu moto clube Aguia Real e a companhia da Valquíria que abraçou a idéia de cara, pois viajar sozinhos sempre foi sua preferência, pois em sua opinião ditamos nosso ritmo, paradas para fotos e lugares a se visitar, decidimos que para chegar a Paraty faríamos o caminho mais longo, pegando a Rio-Santos quase no começo, visto que desceríamos a Mogi-Bertioga e a partir dali a percorreríamos toda até Paraty.

A Moji-Bertioga por si só merece um parágrafo, pois especialmente nesta sexta-feira encontrava-se linda, com o sol iluminando a serra do mar, com suas curvas fechadas, fazia exatamente 25 anos que não rodava por ali, pois a ultima vez que passara tinha acabado de fazer 18 anos e rodava ainda na minha primeira moto, uma ML-125 que fora minha porta de entrada ao mundo de duas rodas... e estava bem diferente do que me lembrava, pois achei-a bem cuidada, bem sinalizada diferente de antes quando mato invadia as curvas deixando-a quase cega . Rodando extasiado com a paisagem vi um mirante o qual se vislumbrava uma queda d'água que descia por quase toda a serra,
parando a moto não pude deixar de ficar por alguns minutos a contemplar toda a beleza da natureza, embora distantes, com o silêncio, ouvíamos o barulho das águas a descer rápido. Após algumas fotos e descansados retomamos a marcha .

No trevo de Bertioga o transito estava completamente parado, cheguei a temer que estaria assim até Caraguá e Ubatuba,pois era feriado prolongado e um destino disputado,como nunca tinha ido para o litoral norte tudo era novidade para mim , e foi com alívio que o tráfego intenso se mostrou só por alguns kms, pois logo a estrada se mostrava tranquila exceto por alguns carros que vez ou outra nos cruzava ou ultrapassava-nos .

Começava para mim a Rio-Santos, aqui um comentário, todo motociclista deve ao menos uma vez viajar por ela, pois sem dúvida nenhuma é umas das mais belas estradas que já viajei, verdadeiros cartões postais a cada km percorrido, pois além de belas curvas, subidas e descidas travadas tínhamos quase sempre a companhia do mar azul, que sempre surgia por entre as árvores em imagens de tirar o fôlego, é uma estrada para quem não tem pressa, pois eu pilotava sempre com um olho na estrada e rápidas viradas de cabeça para abraçar com a visão a paisagem que se deslumbrava, senti muita falta de um comunicador, pois ficava gritando a toda hora para a Val, " olha isso, olha aquilo "...parecia um menino deslumbrado .

Nosso próximo ponto de parada para um breve descanso e fotos foi em São Sebastião,no pier da balsa que liga à Ilha Bela, não quisemos artravessá-la , mas agendando para um próximo passeio, pois o sol que nos acompanhava estava ameaçando nos deixar trocado por chuva, voltamos a " Poderosa " e seguimos viagem, ainda faltava muito para nosso destino, daí para a frente uma chuva fina começou a nos acompanhar até Caraguatatuba, via pelo canto dos olhos como o mar estava agitado com altas ondas a quebrar direto nas praias que costeavam a estrada, pouca gente na areia embora a chuva já tivesse passado à alguns kms atrás, seguimos tranquilo até Paraty que nos recebeu no meio da tarde com um solzinho ameno, eram pouco mais de 15:00 hs ,
paramos na entrada da cidade onde há um centro de informações ao turista, a pousada que reservara ficava ainda uns 20 km sentido Rio, combinamos que iríamos conhecer a cidade e jantar e somente após isso que iríamos para a pousada visto que no dia seguinte sairíamos cedo de escuna e pouco poderíamos aproveitar da cidade realmente.

Dizer que Paraty é linda é chover no molhado, com os encantos de uma aldeia antiga e charme internacional, Paraty, no Rio de Janeiro, coloca-se entre a imponência da Serra do Mar e uma baía de águas muito azuis, às vezes de um fascinante verde-esmeralda. Aqui vivem pessoas de todo mundo, integradas à natureza, às comunidades nativas e à história preservada. Belos sobrados, museus e igrejas compõem o Centro Histórico, um quadrilátero de 35 quarteirões considerado pela Unesco o conjunto arquitetônico mais harmonioso do séc. XVIII. Uma outra Paraty revela um patrimônio natural invejável com florestas nativas, rios e cachoeiras – dois terços de seu território integram o Parque Nacional da Serra da Bocaina – ilhas e uma infinidade de praias. seus casarões históricos é uma viagem ao passado, pois estão muito bem conservados, tombados pelo patrimônio histórico transformaram-se em pousadas, restaurantes e lojas de todo tipo, porém sem perder nehuma característica da época do Império, suas ruas são fechadas ao transito, também nem poderia pois o calçamento de pedra pé de moleque, pois nos lembra o doce de amendoim, é quase que impossível passar e " judia " por demais da moto ou do carro, tive que passar por um trexo delas até chegar ao estacionamento.

Começamos a passear pela cidade, que estava lotada de turistas de várias partes, brincando comentei que estávamos na Torre de Babel, pois escutava conversas em inglês, francês, castelhano e português, eram pessoas animadas clicando tudo que viam, comigo não era diferente, apontava minha máquina tentando levar o máximo possível de Paraty embora.

Um detalhe às moças, salto e bota não combina em nada com as ditas ruas mencionadas, o ideal é sandália pois andar pelas ruas requer paciência afim de não ter uma torção ou mesmo um salto quebrado o que pode trazer um mal humor terrível. E caso se percam de seus parceiros combinem antes um ponto, pois as ruas são muito parecidas e encontrar alguem pode se tornar uma brincadeira de esconde-esconde que dura muitos minutos .

Jantados e felizes com o que vimos e visitamos decidimos ir para a pousada, o relógio já mostrava mais de 21:00 hs, e tínhamos ainda 20 km para percorrer, agora acompanhados pela lua cheia e brilhante , a estrada era banhada por uma luz prateada que era somente interrompida pelo facho amarelado dos faróis da Poderosa, vinte minutos depois saíamos da rodovia pegando agora uma estradinha estreita que levava até a pousada, menos de dois km depois via a placa indicativa " Recanto das Águas " , que eu viria no dia seguinte ser o nome mais apropriado que alguem poderia criar para o lugar .

O estacionamento era uma clareira no meio da mata atlântica, alguns carros estacionados fazia eu ter a certeza que estava no lugar certo, ao desligar a moto só tinha a luz da lua a iluminar o caminho, pois as luzes estavam desligadas, o que tornava nossa emoção maior, pois urbanos que somos sentimos um certo desconforto com escuridão ( leia-se medo e pavor, e para ajudar no clima, rindo comecei a falar com a Val de cenas dos filmes do Jason ), o caminho levava até uma ponte sobre um rio, só escutávamos o barulho das águas marulhando entre as pedras, a lua iluminava a espuma branca que se formava, a ponte era estreita e balançava a medida que passávamos, carregados com os alforges cheios nos preocupávamos em não deixar cair nada, logo avistamos a luz da casa da proprietária, a simpática e prestativa Sra. Maria que nos recepcionou e conduziu-nos até a pousada, uma cabana ao lado do rio, pequena e confortável não é indicada para quem quer luxo de um hotel 5 estrelas, pois ali a proposta é outra, fazer você se sentir em contato puro com a natureza, misturando conforto e o rústico, no pequeno quarto somente a tv e o banheiro bem cuidado fazia nos lembrar tecnologia . Na pequena varanda uma rede fazia nos convite para ver a lua e escutar o som das águas da corredeira á apenas dez passos dali . O cansaço começava a dominar e após um banho desmaiamos pondo fim na nossa sexta-feira santa.

A manhã chegou a mim através do sol entrando pelas frestas da janela e o cantar dos pássaros fazendo coro com o som das águas, no site eles prometiam : paz, tranquilidade, canto de pássaros, cachoeiras como um anti-stress poderoso... promessa cumprida, pois era apenas sete da manhã e eu me encontrava revigorado e pronto para conhecer tudo, acordei a Val e saímos da cabana, não sem antes desfrutarmos um delicioso café da manhã que se encontrava na mesinha ao lado de fora a nos esperar arrumadinho. Bolo caseiro, café, leite, suco, doce, ainda fico com a boca molhada só de lembrar ao escrever estas linhas, a Val se encantava com o riacho que agora poderíamos ver na luz do dia, pequei a máquina e saímos a explorar as redondezas, o nome como dissera antes não poderia ser mais apropriado, pois ficava numa especie de ilha, já que a pousada é circundada pelas corredeiras que se dividiam no inicio e se junvam mais abaixo de onde estávamos hospedados, o único acesso ara a pequena ponte por onde passamos. Andar pela corredeira para quem não é acostumado pode ser perigoso, pois o limo das pedras é esgorregadio e a falta de prática e cuidado pode levar a uma queda como a que tive, por sorte sem maiores consequências a não ser o pulso muito dolorido pois no instinto da proteção afundara a mão dentro do rio virando-a. Duas horas de caminhada e era momento de voltarmos pois a escuna sairia no píer de Paraty as 11:00 hs, e ainda tínhamos que nos aprontar.

O caminho foi rápido e em menos de meia hora éramos recebido pelo Capitão Raul à frente do Andrômeda, uma escuna de dois mastros muito bem aparelhado para receber os visitantes, com simpaticos e atenciosos tripulantes que se mostraram muito prestativos especialmentes a nós , pois o passeio iria se mostrar um tormento para a Val conforme veremos a seguir .

A saída do porto foi anunciada pela apresentação do roteiro a ser visitado, com o som do motor roncando forte para ganhar o mar da bahia de Paraty, ao nosso lado várias escunas de tamanhos, cores e tipos diferentes saíam junto como uma procissão, me divertia vendo as gaivotas mergulhando em busca dos peixes, a voz do Capitão anunciava a vista da ilha do navegador Amir Klink com o Paraty II, seu barco famoso ancorado, que era seguido por comentários nossos e sons dos clicks das máquinas digitais. Em pouco tempo chegávamos a Praia Vermelha, a primeira das quatro paradas programadas, o barco ancorava a uns duzentros metros da areia, para quem sabia era vencido a nado, porém os tripulantes levavam de bote inflável até a margem aqueles que assim o preferiam . Eu tinha pego snorkel e máscara e sem pensar muito pelei da amurada, me senti afundar numa água morna, e após um instante de atrapalho cheguei sem maiores dificuldades até a praia. Após os quarenta minutos programados voltei a nado até o barco e o som da buzina anunciava que era hora de ir para a próxima parada. A partir dai começava o suplício da Val que enjoara, tudo que se via em desenhos animados ou filmes se repetia com ela, era triste vê-la completamente zonza e nada conseguia animá-la, o Capitão e os tripulantes preparavam remédios, comprimidos, mas tudo tinha um só destino terrível, o cheiro da comida que era preparado a bordo que para mim era delicioso para ela contribuía para o mal estar, eu ficava sem muito o que fazer a não ser me preocupar, uma senhora que viajava junto ao marido começou a energizá-la com Reiki ( Tanks ! ), que não sei se pelos comprimidos, pela palma da mão dela ou pelo cansaço fez com que adormecesse, trazendo um pouco de conforto, porém fazendo-a perder o espetáculo que seria a ilha seguinte. Quando mergulhei nadava entre cardumes de peixes coloridos de diferentes especies, chegavam curiosos com a cor da máscara de mergulho até tocar meu rosto, senti falta de uma máquina submarina, na próxima não esqueço .Mais duas paradas em ilhas diferentes e retornamos chegando ao cais já com o sol indo embora, pois faltava pouco para as dezoito horas, em terra firme a Val recuperava a cor e as forças, como não comera nada fomos jantar num simpático restaurante em frente a praça de entrada. Recebidos pelo atencioso garçon não foi dificil escolher o prato que era servido bem ao meu modo, em travessas abundantes de aspecto e gosto deliciosos, era semi final de campeonato estadual tanto em São Paulo como no Rio e as televisões ligadas nos jogos fazia todos ficarem festivos, inclusive o garçon que não parava de rir excitado conforme os gols iam saindo, foi com surpresa que paguei a conta pois imaginamos cidade turistica com preços exorbitantes e no entanto era bem atraente e de acordo com que costumo pagar aqui em minha cidade . Despedimo-nos e saímos para uma última volta a Paraty pois no dia seguinte iríamos ficar na pousada até meio dia e ir direto de volta sem passar pela cidade, quando num sobressalto questionei sobre a máquina fotográfica, diante da negativa da Val minha mente correu rápida até visualizá-la pendurada pela bolsa da Nikon na cadeira, voltei quase que correndo e ao olhar a cadeira vazia meu coração quase veio a boca, porém acalmado prontamente com um sorriso da dona do restaurante me apontando sobre o caixa a bolsa da máquina . Agradeci imensamente e retornei a Val e a estrada, o sábado ia embora, banho e cama .

Acordamos tarde e após arrumar tudo e nos despedirmos da Sra. Maria Aparecida demos uma última olhada no Recanto das Águas que tão bem nos acolheu nestes 3 dias, era meio dia e meia quando entramos na Santos-Rio, queria estar em Mauá antes da noite cair, por isso resolvi pegar um atalho subindo em Ubatuba através da Rodovia Osvaldo Cruz.

A Serra do Rio do Rastro é aqui, pois curvas fechadas em cotovelos onde ao entrar na curva era quase que possível ver a placa trazeira da moto. O trânsito estava totalmente parado com carros em fila indiana subindo em primeira marcha a cinco por hora, eu fazia algo que não gosto nada que era pilotar quase que na contra mão, mas não me sobrava alternativa a que subir colado à esquerda dos carros quase sobre a faixa da pista de descida, indo pouco mais rápido e com muita atenção na estrada, pois permanecer na velocidade dos carros significaria parar a moto em subidas a quase 45º de angulo. A estrada e a serra é linda mas não pudemos aproveitar nada devido a tensão do tráfego, ainda quero passar por ali em outra ocasião subindo tranquilo e podendo parar nos bolsões de escape, pois não existe acostamentos, a subida foi rápida diferentemente dos carros que ficaram para trás, ao termino me deparei com um trecho maravilhoso, de serras amareladas pelo entardecer, com vacas pastando nos morros verdes, logo chegamos a Taubaté e entramos na Dutra e Carvalho Pinto que estava com um trânsito " nervoso " com carros passando rápido afim de se chegar logo em casa, eu redobrava a atenção seguindo a direita do trafego intenso, até chegar próximo a Guararema onde toda a estrada voltava a ficar parada por conta dos pedágios, o corredor até chegar em São Paulo se mostrou uma perigosa mas melhor opção, a noite já caíra quando " meu cachorro me sorriu latindo ao me receber em meu portão ... eu voltei "

Serviço :

Para se hospedar em Paraty :
Pousada Recanto das Águas
http://www.recantodasaguasparaty.com.br/
Telefone : (24) 3371-0542 com Maria Aparecida

Passeio de Escuna :
Existem vários barcos todos saindo do porto a partir das dez da manhã com roteiros e serviços de bordos diferentes preço médio 35,00 por pessoa, pode-se alugar máscaras de mergulho e snorkel a bordo .
Eu recomendo o Andrômeda do Capital Raul
http://www.unatouredive.com.br/passeio.htm

Onde Comer :

Em cada esquina há um restaurante com várias opções e preços
Pela qualidade, atendimento e bom preço eu recomendo
Restaurante Caramujo
Rua Domingos Gonçalves de Abreu,139 - Centro histórico Paraty -
Em frente a Praça do Chafariz Fone ( 24 ) 3371-1913
www.guiaparaty.com.br/restaurantecaramujo

Mergulhos :
Una Dive
Cursos, batismos,aluguel de equipamentos, estação de recargas
www.unatouredive.com.br
Fone : ( 24 ) 3371-6188

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Extrema / MG



09/11/08 Domingo

O ponteiro do relógio já marcava mais de meio dia, embora nem precisasse olhar, o sol sobre minha cabeça e meu capacete já revelava bem isso, o amigo Lucas e sua namorada Erina me esperavam num posto de gasolina na Av. do Estado, era altura do bairro do Ipiranga, nosso destino era a Estrada dos Romeiros e Cabreúva que por ser tarde já ... era a melhor pedida para um domingo que se mostrava lindo de céu claro , havia conversado antes com o Piloto do site Motoa2 ( www.motoa2.com.br ) que me dera boas dicas , mas eu ainda não sabia que este destino mudaria e ficaria para uma próxima ... chegando ao posto, abraços, cumprimentos e mudança de planos . Atendendo a sugestão de meu amigo iríamos a Extrema já em território mineiro embora perto de São Paulo, distante apenas 100 km . Aceitei de pronto pois queria estrada e era de qualquer modo um lugar ainda novo para mim . Mais um pequeno desvio de rota para completarmos lindamente o grupo e acelerar .

Marginal Tietê carregada e rápida, o que me deixa inquieto o tempo todo, sempre digo que prefiro a estrada ao pesado trânsito urbano de São Paulo e foi com alívio que entramos na Dutra e posteriormente a Fernão Dias, uma rodovia que tinha péssimas informações, transito pesado de caminhões, buracos e mal sinalizada era o que mais se ouvia, me preparava para uma aventura sobre duas rodas, mas até que nem tanto, tinha sim muitos buracos, remendos de asfalto que se mostram como manchões, mas rodamos tranqüilo, dando até para apreciar o visual de serra, bastando estar atento as ultrapassagens nossas e sobre nós, pois a estrada tem poucos trechos que não pista duplas e realmente os caminhões descem a toda nas grandes ladeiras que se alternam , bastando ficar atento e manter uma velocidade de cruzeiro compatível roda-se sem sustos , segurança que alguns motociclistas descartam, como um casal ainda em trecho urbano que rodando numa pequena 125 levavam ensaduichado ( se é que existe a palavra ) entre eles um bebê enrolado em uma fralda que servia de proteção contra o vento e um outro motociclista este já na Fernão Dias nos ultrapassa em alta velocidade deitado sobre o tanque da moto , como a voar ... só que de encontro a insegurança e o risco .

Pouco mais de uma hora e meia estávamos na divisa do estado de MG e SP, pausa para um suco e fotos num posto de beira de estrada, observava atento a Serra da Mantiqueira, que neste ponto se mostrava com todo seu esplendor, em poucos minutos estávamos no portal de entrada de Extrema , uma cidadezinha pequena encravada em morros e margeada por linda paisagem , seguimos direto para a chácara do Lucas, um pedacinho do céu na terra, tal a beleza e tranqüilidade do lugar, onde entre muito verde pude apreciar a enorme montanha a frente, as nuvens brancas só serviam para tornar a imagem ainda mais bela e de cartão postal , o canto dos pássaros serviam de sinfonia para dar o tom do dia, enquanto o jovem casal dividia entre o descanso na rede e um banho refrescante de piscina eu me divertia fazendo o que mais gosto, registrando imagens do lugar, entre casas de João-de-Barro ou uma Rolinha descansando em seu ninho .

A tarde chegara e era hora de retornar, antes queria conhecer a cidade , combinamos um passeio rápido pelo centro, era pouco mais de 17 hs e dava tempo para um sorvete delicioso na Praça da Matriz, que merece por si só a visita . Ornada por lindos canteiros de flores, as crianças brincavam e corriam alegres , nos vários bancos senhores e senhoras conversando , casais namorando, a cena era típica de cidadezinha do interior, onde o tempo parecia que não tinha passado, neste momento rindo me lembrei da fictícia cidade de Albuquerque que serviu de cenário para a antiga novela Estúpido Cupido . Nossa atenção foi tomada pelo sino da igreja tocando, resolvemos todos entrar e o que vi foi de encher os olhos,

indescritível a paz e a beleza , eu adoro Igrejas e sempre em minhas viagens gosto de observar tudo, desde a construção em si quase sempre do século passado, carregada de História e que rende sempre momentos de reflexão .

O horário avançado indicava que era hora de voltar , não sem antes prometermos a todos retornar com mais tempo, pois visitar Extrema não se resume ao centro da cidade que é pequenino e tranqüilo, pois as grandes descobertas mesmo estão nas imediações do lugar, para quem curte turismo de aventura ou simplesmente alojar-se numa pousada para um fim de semana romântico com direito a passeios de charrete ou cavalo , mas o que me prometi a mim mesmo era passar uma noite de céu limpo e de preferência com minha amada Lua cheia com direito a observar o que imaginei deve ser um espetáculo único de muitas estrelas ...

Serviço :

Como chegar : Rodovia Fernão Dias 99 km da capital
Estrada boa e não tão assustadora como me falaram .

Hospedagem :
Hotel Fazenda das Amoreiras www.hotelamoreiras.com.br

Visitas :
Igreja Matriz Santa Rita
padroeira da cidade; trabalhos em cobre martelado do antropólogo e artista plástico italiano Alfredo Mucci; destaque para os quatro evangelistas.
Praça Presidente Vargas
principal praça da cidade; Igreja Matriz e canteiros floridos.
Calçadão
bancos, floreiras e arcos; liga a Praça Presidente Vargas à Praça do Japão “Ken Hit Kameya”.
Clube Literário e Recreativo
centro de grande parte do movimento cultural e artístico da cidade, bailes e carnaval de salão.
Centro Municipal de Esportes
”: ginásio poliesportivo com parque aquático e sauna; aberto à população e aos turistas.
Pedra da Mesa
mirante natural; grande pedra com formato de laje e vão de 20 m; acesso (caminhada de 2 h) a partir da Torre da Embratel ou da Vila Rica.
Pedra do Índio
sítio arqueológico com inscrições rupestres; no Bairro da Fazenda do Matão, a 7 km da cidade; recomendável o acompanhamento de guia.
Pedra do Lopo
na Serra do mesmo nome; vista panorâmica da cidade e da Represa do Jaguari, em Joanópolis; mata preservada e rampas para vôo livre, ponto de partida para várias trilhas; no topo, a Pedra do Sapo de 6 m de altura; acesso pela Estrada da Embratel, a 7 km da cidade.
Trilhas
a partir das rampas de vôo livre, 1 h de caminhada em direção às pedras Dos Cinco Dedos, Do Cabrito, Cabeça de Índio, Poli e Pedra das Flores; seguindo pela mata chega-se à Pedra do Cume, a 1.780 m de altitude, ponto mais alto do município. Trilha Pinheirinho, 3 a 4 h, na Serra do Lopo; no trajeto, a Pedra Santa Rita e duas cachoeiras, o Bicão, uma pequena queda d’água no meio da mata, a Pedra da Sapo e, por último, o Pinheirinho. Trilha Bosque da Montanha Encantada / Pico dos Cabritos: 4 a 6 h; acesso pelo bairro da Vila Rica, passando por diversas pedras até o topo da serra, a 1.600 m. Trilha Bosque da Samambaia / Pedra Dedo de Deus, 4 a 6 h de caminhada; subida de carro até a Torre da Embratel, depois seguir trilha pela mata até o Bosque da Samambaia, chegando à nascente responsável por parte do abastecimento da cidade e, mais adiante, à Pedra Dedo de Deus e à Pedra Mesa.
Mirante da Caixa d’Água
reservatório que abastecia a cidade com água da serra no início do séc. XX; vista panorâmica; ponto de partida para caminhada até o Bicão e suas bicas de água natural.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Mauá - Curitiba _ Paranaguá

Ansiedade, esta era a palavra que movia meus dias que antecedia minha viagem, o Moto Clube Robalos Rebeldes sediado em Paranaguá preparava sua IX Festa de Aniversário, e movimentava a cidade toda, pois um grande número de motociclistas e motoclubes de todos os canto do país para lá se dirigiam, no ano anterior um número impressionante de mais de 7 000 mil pessoas foram, e este ano era esperado a quebra deste recorde, para mim, era apenas a desculpa para visitar a minha cidade, minhas memórias de infância eram toda de lá, pois saíra de lá com apenas sete anos, e eventos como a primeira vez que fora no cinema ( sou um cinéfilo convicto até hoje ), vi a Copa do Mundo de 70, num tv colocado pela prefeitura na praça central, pois era luxo de poucos na época, e cada pedra de rua, cada casarão havia um pouco de meus olhos de menino, e eu nunca mais voltara, quando vi o evento de motociclismo, comecei a preparar mentalmente a viagem . Agendar datas com meus compromissos profissionais, pouco dinheiro e até mesmo companhia não eram impecílios para minha pequena aventura .

Minha querida Cidicléia estava sendo preparada para a viagem, se bem que pouco ou quase nada precisaria ser feito a não ser trocar relação, meu entusiasmo era como o de um menino, não cansava de comentar com todos, faria minha primeira viagem mais longa, desta vez minha esposa por motivo de trabalho não estaria comigo, a não ser em meus pensamentos, porém ao comentar no Garra de Águia , o motoclube o qual sou membro, um amigo logo manifestou interesse, e este multiplicou-se em mais 2 , e já não ia mais sozinho, agora teria as maravilhosas companhias do Vecchi, do Gilmar e do Carlinhos . Conforme o dia marcado ia aproximando-se minha expectativa ia aumentando , marcávamos a partida para a quinta-feira dia 7 de agosto, o evento iria iniciar-se em 08 seguindo pelo sábado 09 e domingo 10, embora no dia 10 viajaríamos logo pela manhã para passarmos o domingo dia dos pais já em casa com a família ...

Finalmente dia 07, eu mal dormira na noite anterior, descera pelo menos 3 vezes até a garagem checar os alforges, mais uma das inúmeras passadinhas de pano no tanque e na bolha para-brisa e enfim chegava a manhã, conforme o combinado as sete da manhã já estava em frente a casa do Vecchi, nosso ponto de encontro, ainda deu tempo para um pulinho a padaria, um café da manhã movido a muita conversa sobre o que nos aguardava, éramos quatro meninos, e na minha mente logo veio o filme do John Travolta e o personagem que mais se encaixava em mim um todo certinho e empolgado vivido por um ator ruivo de óculos, eu não deixava de rir ao passar cenas do filme em minha mente, Motoqueiros Selvagens , distinto senhores deixando sua rotina em busca de quilômetros de estrada em busca de liberdade e no meu caso um encontro marcado com minhas raízes 35 anos depois ...

Primeiro Dia

Rumamos para a Rodovia Anchieta, o sol brilhava sobre nossas cabeças, no pedágio uma parada para a tradicional foto de início de viagem,
Preparativos nós ainda não sabíamos, mas o sol amigo também ali se despedia de nós, não o veríamos mais até a tarde de domingo , eufóricos combinamos que só pararíamos de novo em Peruíbe a 130 Km onde abasteceríamos e tomaríamos um café , ao pegarmos a Rodovia manoel de Nóbrega ao final da Imigrantes, um forte vento lateral teimava em nos acompanhar, em determinados momentos era até difícil manter a moto em linha reta tal a força do vento, minha carenagem não parava de vibrar o que me incomodava bastante pelo barulho irritante, o pequeno parafuso que segurava não suportara o vento e com a vibração perdera a capacidade de aperto . Chegamos a Peruíbe , um café, fotos no portal da cidade e abastecimento, cometera um erro que me arrependeria muito mais tarde, os amigos encheram os tanques, eu olhara no marcador e tinha rodado 133 km, então vi que estava a meio tanque, calculei que chegaria com tranqüilidade até 300 km com aquele combustível e disse que abasteceria mais a frente, subimos nas motos e começamos a rodar , alguns minutos e kms depois a paisagem mudava, a pista dupla da manoel de Nóbrega agora era uma rodovia de mão dupla, grandes e lindas serras verdes se descortinavam ao nosso lado, entre um e outro dos muitos buracos que topávamos dava de canto de olho para ver o gado pastando tranquilamente nos imensos gramados verdes, pista que requer cuidados redobrados pois além dos muitos buracos os caminhões com seu rodar cansado e preguiçoso tínhamos que tomar cuidados com os automóveis impacientes que queriam nos ultrapassar a qualquer custo sem preocupar-se muito com a pista contrária sem visão ...

Sem incidentes chegávamos a tão afamada BR-116, antes da viagem ouvira muitas histórias e conselhos sobre a Régis Bittencourt a ponto de sentir um estremecimento involuntário assim que entrara nela, paramos sob um viaduto tiramos algumas fotos, e antes de colocar o capacete de novo, mentalmente fiz uma prece, por mim, pela minha Cidicléia e pelos meus amigos, servia para me confortar e afastar o temor da estrada, nos primeiros Kms a sensação de desconforto me abandonava e o prazer da estrada e da paisagem me invadia, os muitos caminhões não chegavam a assustar , tínhamos apenas que respeita-los e respeitar nossos limites, o vento forte de antes transformava-se em gotículos na viseira do capacete, era hora de parar e colocarmos as capas, em minutos o céu desaba sobre nossas cabeças, a chuva forte vinha acompanhada do frio, estávamos ainda alguns kms antes de Registro , de volta a estrada eu rodava atento as poças que se formavam, o medo de escorregar era grande, velocidade média de 90 p/h eu ia de olho no líder , a trazeira da Drag Star do Vecchi era firme e constante, algum tempo depois começávamos a subir a serra que antecede a divisa com o Paraná , ao término de um declive com uma curva acentuada senti minha Cidicléia reclamar, virei a torneira da reserva e lembrava que não tinha abastecido na entrada da Régis no Fazendeiro como tinha planejado, entrertido com as fotos e a prece passamos direto, eu olhava no marcador e via 310 km rodados, não tinha do que reclamar, a brava Mirage cumprira sua parte, mesmo virando pra reserva ela apagara, joguei para o acostamento afastando-me da curva, o líder e o Carlinhos foram embora sem perceber, o Gilmar ( o Anjo ) parou ao meu lado, eu comentara de minha imbecilidade, após ver que tinha virado pra reserva ela não pegava , o amigo me pediu para ficar e arrancaria pra buscar gasolina,
eu concordei tristemente, não tinha o que fazer, porém alguns minutos depois dei na partida e ela pegou, descobri da pior forma que ela passa do tanque pra reserva num intervalo e não direto bastando virar a torneira, sabia que ainda tinha dois litros e 50 km para rodar, fiz todo o trecho de serra e parei num posto abandonado, encostei a moto e fiquei cerca de duas horas na beira da pista e embaixo de um temporal, até a chegada do Gilmar que trazia uma garrava de gasolina, os outros dois estavam a cerca de 30 km a nossa frente, ainda tínhamos mais um trecho de serra logo antes da divisa com o Paraná, pausa para um cigarrinho do Gilmar e começamos a andar, logo no início da subida notamos alguns carros parados e muitos caminhões, não era um congestionamento comum, pois as pessoas estavam muitas pra fora do carro, o Gilmar me indagara se eu tinha receio de andar em corredor o que respondi negativamente, então ele me disse ... “ Siga-me “ ... cerca de uns sete kms entre os muitos caminhões e carros, algumas vezes manobrando a moto empurrando com os pés, pois o corredor era inregular , e no alto da serra descobríamos a razão, uma carreta com grandes tanques de óleo havia tombado, e tínhamos toda a descida para cruzar e cerca de 700 mts com a pista totalmente lavada, mesmo contrariando os conselhos dos caminhoneiros resolvemos arriscar, sem tocar em freios ou embreagem, conduzi a Cidicléia mansamente até o ponto que víamos de novo o escuro do asfalto, terminado o trecho começamos a rodar devagar e passando as rosas em poças d´´aguas para lavar os pneus, sentindo-nos firmes de novo começamos a rodar mais rápido, desta vez tendo a BR somente para nós, pois a mesma ficara trancada todo o resto do dia, mais a frente nos reunimos com o restante, comentamos o ocorrido, tomamos um café eu enchera o tanque da Velha Dama e rumamos para Curitiba, desta vez despreocupados com o tráfego, somente tendo a companhia da chuva e o ronco dos motores ... mesmo com a capa de chuva e as luvas eu me sentia gelado e ansiava por estar numa cama quentinha, já era noite ... mas isso é assunto para o próximo tópico ...

Curitiba ... na quinta a noite

Ao entrar no perímetro de Curitiba, rumamos direto para o centro, eu ainda me lembrava dos antigos hotéis na região da Câmara Municipal, e um banho quente era objeto de meus desejos mais imprescindíveis, paramos no Centro Histórico, tomamos um café quente, tirei algumas fotos noturnas , liguei para minha filha, para o amigo Cubas de Curitiba para pedir informações de hotéis e descemos rumo a antiga Estação Ferroviaria, numa breve rodada descobrimos o Hotel Ambassador, gerenciado pelo Sr. Raul, um sinhorzinho pra lá de simpático e muito falante que não media esforços para nos instalar, a ponto de buscar um colchão num hotel em frente, pois o único aposento vago era um quarto com 3 camas de solteiro, então o jeito era um de nós dormir num colchão estendido no chão, cansados e com frio , consideramos um paraíso, e o valor de 25,00 por pessoa nos pareceu mais do que justo . Tomamos banho , nos agasalhamos e saímos para jantar, o destino era a dica do Sr. Raul , o Shopping Estação, onde encontraríamos além da comida, olhares curiosos, muitas fotos a tirar e o Shopping mais lindo que já visitei, de cara pensei na minha esposa, pois ambos somos Shopólatras inveterados e senti ela não estar conosco para ver toda a beleza do lugar .
O cansaço veio a galope após a barriga cheia, voltamos para o Hotel a tempo de ver a novela ( yes, soy novelero, e queria ver a pilantra da Flora aprontar com a Donatella ) .


Curitiba ... Entrevistados na tevê

A manhã de sexta em Curitiba amanheceu fria, após o café fomos dar uma volta pelo centro da cidade, a sensação térmica era de 5º , paramos em algumas loginhas para comprar luvas de lã e gorros, era engraçado como chamávamos a atenção por onde passávamos, com o colete do Garra de Águia MC, as pessoas podiam nos indentificar pelos nomes, e era comum sermos chamados na rua para um papinho, impressionava-me a simpatia do povo curitibano, pois desde rapazes a senhores e senhoras, todos queriam nos cumprimentar e saber de nosso destino, o brasão da Associação Paulista de Motociclismo mostrava que éramos de São Paulo e a curiosidade sobre nossa viagem era grande, era confortante receber de todos o “ Viagem com Deus “ ou “ Deus os acompanhe “ ... o pequeno giro pela manhã fez nos depararmos com o Repórter Kândido do programa 190 da Rede CNT local, ele pe puxou pelo braço pedindo minha atenção e comentou que estaria com um link ao vivo da Praça Tiradentes, ali pertinho, e gostaria de fazer uma pauta conosco, convite prontamente aceito pelos Roberts de plantão, conforme o solicitado pontualmente as 11:30 estacionamos as motos de frente ao pequeno estúdio montado na praça . O repórter de uma simpatia sem tamanho nos tratava como atração, 4 motoclistas vindo de São paulo a caminho de Paranaguá, enfrentado distãncias, chuva e frio, era como uma odisséia sobre 2 rodas destes 4 pards em seus cavalos de aço , após receber a palavra do apresentador no estúdio o repórter fez as apresentações, fui o primeiro a falar com contida emoção, não é sempre que estou de frente a câmera, mais acostumado por trás das lentes a fazer o trabalho que o Kândido agora realizava com maestria, minhas palavras saíam fácil, pois queria apenas agradecer e comentar sobre o que via, pessoas recebendo estranhos de longe de braços abertos, ao contrário do frio que fazia recebíamos muito calor humano através de palavras e sorrisos . A pedido do repórter subimos nas motos e saímos pilotando num círculo exibicionista pela praça ... Paramos um pouco e despedimo-nos de todos e dali mesmo rumamos para a rodovia BR-277 rumo a Paranaguá ...

Na estrada com caminhões ...Paranaguá aqui vamos nós

No início da BR, paramos para nos agasalharmos, as luvas de lã por baixa da luva de couro se mostrou de extrema utilidade, meu gorro tipo Ivanhoé, apertava meus óculos sob o capacete, mas era preferível a ter as orelhas congeladas , alguns caminhões passavam businando forte ao qual prontamente levantávamos os braços num aceno . ao começar a rodar comemorava a chuva dar uma trégua, pela primeira vez podia curtir a estrada sem ser castigado, a BR-277 é uma estrada muito bonita e segura, com suas duas pistas de asfalto impecável mostrava nos uma paisagem de grandes pastos e ornadas por grandes árvores de Araucária, símbolo do paraná, os caminhões que passaram por nós eram agora alcançados por nós, um comboio de grandes carretas que tinham um estranho modo de nos cumprimentar e chamar para rodar juntos, balançavam as carretas de um lado ao outro de um modo festivo e ao mesmo tempo assustador, busínavamos as motos o que em resposta recebíamos acenos pela janela e acompanhados de uma trilha de ensurdecedores businas a ar, vários caminhoneiros ao mesmo tempo dando-nos passagem de modo eufórico e barulhento, eu me arrepiava todo pois a cena era linda e desmitificava um pouco o medo dos grandes caminhões na estrada, pois o que via eram colegas a rodar juntos, uma irmandade que tinha em comum o imenso tapete escuro rodeado do verde a beira da estrada ...

Deixando-os para trás chegamos a uma surpresa que machucou nossos bolsos, o pedágio pago por motos, 5,70, um valor pequeno pela qualidade da estrada, porém estranho a nós acostumados as rodovias paulistas onde motos ainda não são pedagiadas, aproveitamos a parada para esticar um pouco os músculos e vi que escapava uma mangueira sob meu tanque, como havia levado ferramentas de novo o Gilmar me ajudava, sacando meu tanque e encaixando de volta a mangueira que até agora não descobri para que servia, visto que devia estar rodando com ela solta há bastante tempo, a operação tomou-nos alguns minutos e encerrada os pards rodavam de novo, logo a frente um trecho maravilhoso e inesquecível, uma serra maravilhosa , nem dava vontade de acelerar, pois a paisagem era de tirar o fôlego, a pista com curvas largas permitia até 80 km p/h, mas eu não devia de estar a mais de 40 pois queria apreciar o espetáculo que a natureza e os antigos engenheiros nos proporcionavam, cheguei a me entristecer quando terminamos o trecho de serra e começou um retão monótono até entrarmos na cidade de Paranaguá, não sem antes eu ser albarroado por trás pelo Vecchi que se distraiu momentãneamente e não percebera minha parada na rotatória do caís, nada de mais grave além do susto e nos dirigíamos direto para a Praça 9 de Julho local do evento, assim que cheguei fui recebido com um abraço pelo amigo de Orkut Agostinho, um dos responsáveis pela organização do evento e um dos membros fundadores do MC Robalos Rebeldes, após as apresentações ele nos indicou alguns hotéis , pois o que soubera era que todos haviam de estar lotados, pois haviam reservas de três meses antes, e nós fomos na base da aventura e sorte ... sorte esta que nos sorriu, pois no segundo hotel que contactamos o dono em pessoa nos instalou em dois ótimos quartos, com duas camas cada, apartamento super confortável e luxuoso por um preço bastante camarada, 75,00 a diária por pessoa e com um café da manhã que mais parecia um almoço tamanha a fartura ( não de faltar e sim de abundância de coisas gostosas ) , Gassan, o dono-gerente, não descuidava de nós por momento algum, sempre por perto perguntando se estávamos satisfeitos e ou precisávamos de algo, num destes momentos, como chovia muito pegou seu próprio carro e levou-nos num restaurante a dez quadras dali e deixou um táxi de sobreaviso quando terminássemos o jantar e fôssemos ao evento, pois era noite de sexta-feira e começava ali o evento que era nosso destino ... a IX Festa de Aniversário do Robalos Rebeldes MC ...

E começa o evento ...

Jantados e satisfeitos, o táxi nos deixou a porta do Encontro Nacional de Motociclistas do MC Robalos Rebeldes, logo de entrada fomos registrar nosso MC e retirarmos o troféu de participação, andando pelo enorme estande montado pelos organizadores reencontrei o Agostinho que nos apresentou a todos, abraços, sorrisos, confraternizações, engraçado perceber como nós motociclistas somos uma irmandade, pois o colete era como uniformes de um mesmo time, unidos por uma mesma paixão, estrada, liberdade, motos e amizades , as que tínhamos anteriormente e que revíamos e as novas que eram feitas em cada troca de adesivos e em cada abraço recebido ... Gente de todos os lugares, a grande maioria da região sul do País, que não mediam esforços para deslocar-se de seus afazeres e cotidiano somente pelo prazer de rodar e fazer amigos .

A chuva esvaziara a praça de eventos, alguns poucos corajosos como nós ficavam de frente ao imenso palco montado para receber as bandas que animariam o evento , de início abrindo a festa o Coral de Paranaguá, formados pelas vozes e brilho de senhoras tão jovens a exaltar a alegria presente , seguia-se noite afora outras apresentações, ouvi de tudo um pouco, Credence, Raul, Ozzy, o indefectível hino dos motociclistas Born To Be Wild e Kiss ... eu kissmaníaco não pude deixar de me chacoalhar aos primeiros acordes de I Was Made For Loving You, deixamos o palco para trás e fomos dar uma volta pelos inúmeros estandes com produtos para motos e motociclistas, a noite, o frio e a chuva nos chamava de volta ao Hotel , nossa sexta estava encerrada ... não sem antes dar uma parada numa carrocinha de cachorro quente para acalmar o estômago do Carlinhos que precisava ser calado a cada meia hora .

Sábado com Golfinhos

Acordei cedo, quis dar uma volta sozinho pela cidade sem meus Pards, em companhia de minha máquina fotográfica quis viajar no tempo, olhar com olhos de menino. Aquelas ruas, praças e casarões tinham me visto com 5, 6 anos, e tinha muitas recordações e emoções para compartilhar , a chuva fina misturava-se com minhas lágrimas que escorriam por um rosto de 43 anos , 35 deles longe dali, era uma sensação estranha, um misto de saudade do que não sei e alegria por estar ali, uma volta as minhas raízes , entre fotos de ruas, casas me vi de frente ao antigo cinema, Cine Santa Helena onde fui pela primeira vez , as cenas do filme Mogli, o menino lobo de Walt Disney misturou-se ao meu próprio filme, lembro como ficara maravilhado com o tamanho da tela e as cores vivas do desenho, uma paixão que perdura até hoje, paixão de colecionador de filmes nostálgicos como os muitos filmes de faroeste, Tarzans que começara ali , naquele cinema , que hoje era somente um casarão em ruínas . Voltei ao hotel e me reuni aos amigos onde seguimos para um passeio de barco pela bahia de Paranaguá, um grupo de alunos em excursão acompanhava o passeio, que nos levava ao largo do porto onde navios enchia-nos os olhos pela grandeza de tudo . Entre risos festivos fomos alertados pelo comandante do barco a olhar um burburinho que seguia o barco, um grupo de golfinhos nadava ao lado fazendo festa , era difícil acompanhar seus pulos com a máquina, mas ainda consegui tirar algumas fotos .
Após um passeio que durava mais de 1h e meia, voltamos ao píer e caminhamos sem pressa em direção à Praça de Eventos, era nossa última noite e pelo caminho passei em lojas de artesanato, queria comprar lembrancinhas de meu passeio a minha esposa e meus filhos, notava que muitas motos chegavam , o sábado diferente da sexta prometia muita gente o que pudemos constatar , o evento estava “ bombando “, andamos por todo o perímetro namorando as muitas motos clássicas estacionadas, entre tantas me chamou logo a atenção uma lindíssima que chamei de Rainha das Motos, uma Harley Davison azul maravilhosa . Engraçado como motociclista de motos custon são diferentes, em seus motoclubes ou forasteiros como fui por muito tempo, somos de estacionar as motos e passear admirando motos e acessórios customizados. Diferente de pilotos de esportivas, vi muitos jovens chegar sobre suas reluzentes Hayabusas ou Hornets de coloridos chamativos, capacetes sobre o tanque ( cabeça sem proteção e vazias, literalmente ) acelerando forte para chamar a atenção, roncos altos que lembravam o som áspero de 2 tempos das antigas RDs, confesso que não gostava e cheguei muitas vezes a me assustar pois andava tranquilamente e de repente um Vruunnn escancarado próximo a mim , mas enfim o evento é de motociclistas e seja qual tribo for, somos todos motociclistas ... estou errado ?

Domingo ... Estou voltando pra casa ...

Acordamos cedo, tomamos um café da manhã bem reforçado, cortesia do Gassan o gerente-dono do hotel e depois de tirarmos algumas fotos com ele e do Hotel preparamos-nos para rodar, para variar a chuva fina não dava trégua, mas eu já estava até me acostumando, o sol só deu as caras na divisa do Paraná com São Paulo eu respirava aliviado por conta de um susto tomado na serra, pois graças ao piso molhado e escorregadio eu perdera a tangência de uma curva atravessando direto e completando a volta pelo acostamento, o asfalto seco e o calor do sol tornou nossa volta mais rápida e agradável era pouco mais de 13:00 hs e já estávamos no Posto Fazendeiro onde paramos para almoçar pois dava para ouvir o estómago do Carlinhos reclamando de longe apesar do som do vento no capacete .
Almoço feito e reabastecidos entramos na Rodovia Manoel de Nóbrega tendo o céu mais azul que eu já tinha visto na vida , depois de tantos dias secos no estado a chuva lavara a atmosfera tornando a paisagem sobre nossas cabeças cristalina e límpida . Eu puxava a fila tirando algumas fotos de estrada quando fui parado por um policial rodoviário , era a divisa de Pedro de Toledo com Peruíbe, estacionamos todos e conforme solicitados mostramos as documentações , após vistoriados pedi para tirar fotos com os policiais que não se incomodaram e entre conversas sobre as máquinas nos ofereceram café ... após o cigarrinho do Gilmar nos despedimos e recomeçamos a viagem ... a meta era chegar em casa com dia claro, era dia dos pais e estava morrendo de saudades dos meus filhos e da esposa ... olhando a estrada repassei rapidamente toda a história de viagem que relatei aqui e descobri que não importa a viagem ... a melhor sensação é o retorno para os nossos queridos, rever sorrisos, compartilhar histórias, sentir o abraço apertado ou mesmo um beijo longo misto de saudades e felicidades do reencontro eu me sentia como uim astronauta vindo da Lua, pois na minha dimensão minha aventura fora igual e queria falar, falar, falar ... ter minha esposa e meus filhos em volta de mim me ouvindo até a noite chegar e avançar pela madrugada, relatar minha vivencia e emoções me sentia como um menino que transforma-se em homem, amadureci mais nesta viagem pois enfrentara alguns fantasmas pessoais e vencera-os .


“Minha vida é andar por este país
Pra ver se um dia descanso feliz
Guardando a recordação
Das terras onde passei
Andando pelos sertões e dos amigos que lá deixei.
Chuva e sol, poeira e carvão
Longe de casa sigo o roteiro
Mais uma estação e alegria no coração! "


Serviço :

Em Curitiba não deixe de visitar

Ópera de Arame
Centro Histórico
Praça Tiradentes marco zero da cidade em anexo a Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Luz dos Pinhais
Passeio Público ( Foi o primeiro parque Público e primeiro Zoológico de Curitiba )
Shopping Estação e em anexo o Museu Ferroviário
Rua das Flores
Rua 24 Hs

Nos hospedamos no Hotel Embaixador

Em Paranaguá não deixe de visitar

Rua da Praia
Igreja do Rocio
Ilha dos Valadares
Museu de Arqueologia no Antigo convento dos Jesuítas
Passeio pela bahía de Paranaguá ( Barco Marujo Amigo 10 )

Nos hospedamos no Hotel Monte Líbano ( 41 3423-3571 / www.hotelmontelibano.com.br )